quinta-feira, 27 de outubro de 2011

"O brilho de uma estrela"

O texto abaixo foi transcrito do livro publicado em 1999 "7 mil horas de Futebol", de Luiz Mendes (1924-2011), que morreu hoje após complicações decorrentes da diabetes. É uma singela homenagem de sua gente ao "comentarista da palavra fácil", um grande botafoguense. Deliciem-se com essa bela história.

Minha mulher, Daisy Lúcidi, é torcedora do Fluminense, eu, do Botafogo. Em 1957, nosso filho, o Júnior começou a ir ao Maracanã, acompanhando-me. Não sabia por que clube torcer. Nem eu, nem Daisy, quisemos fazer sua cabecinha. Eu disse a ele que escolhesse o clube campeão daquele ano. O campeonato foi transcorrendo e por uma coincidência muito bem tramada pelos deuses do futebol, Botafogo e Fluminense, foram para a decisão, no dia 20 de dezembro de 1957, no Maracanã.

O Botafogo venceu e foi campeão, numa tarde memorável de Paulinho Valentim, autor de cinco dos seis gols de seu time. Terminado o jogo, já no regresso para a casa, quando passávamos em frente à sede do Botafogo, meu filho, que contava ainda sete anos incompletos, pediu-me para parar o carro: queria participar da festa do título, que estava começando no belo palacete colonial da Av. Venceslau Brás. Paramos o carro no estacionamento (saudosos tempos em que havia estacionamento!). Encaminhamo-nos para a sede. Lá estava, risonho e feliz, o Presidente Paulo Azeredo. Era um homem pequenino, de olhos vivos, simpático. Contei-lhe que meu filho, naquela tarde, tornara-se botafoguense. Dr. Paulo aumentou o tamanho de seu sorriso e disse: "Esse menino nunca mais esquecerá este dia. Vamos marcá-lo". Tirou da lapela o distintivo do Botafogo e o pregou na camisa do Júnior. Constrangi-me, porque percebi que o distintivo era de ouro maciço, inclusive o pregador com "pega ladrão" e a estrela solitária, realmente um solitário, um brilhante. Fiz tudo para devolver, mas o Dr. Paulo Azeredo havia tomado a decisão de condecorar o novo botafoguense. Até hoje, meu filho tem esse mimo comemorativo do dia em que ele foi conquistado pelo Botafogo. Sim, porque Adalberto, Beto, Tomé, Servílio e Nilton Santos. Pampolini, Didi e Edson. Garrincha, Paulo Valentim e Quarentinha, mais o técnico João Saldanha, ao ganharem o título de 57, conquistaram o coração de Luiz Mendes Júnior. Sem qualquer influência do pai, como não teria interferência da mãe, se o Fluminense houvesse sido o vencedor.

2 comentários:

  1. Feliz dele que pode ver novamente alguns dos grandes craques do Botafogo em ação lá no céu.

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir