Nasci no dia 23 de junho de 1981. Aos sete anos de idade, no dia 7 de
maio de 1989 virei botafoguense. O Botafogo perdia para o Flamengo por 3 a 1.
Meu avô materno, Egenildo, flamenguista, já havia me dado uma camisa do
Flamengo e me fotografado com ela. Mas naquele dia ouvia o jogo pelo radinho
com meu pai botafoguense, Fernando. O Botafogo empatou a partida com dois gols
no finzinho, de Gonçalves, então jovem zagueiro do
Flamengo, contra; e Vitor, que apesar de depois ter se declarado botafoguense,
havia sido revelado pelo Flamengo. Aquele empate mudou meu destino. Eu cheguei
a fazer um desenho eu queimando a camisa do Flamengo e escrito: Agora eu boto
fogo!
Contrariei a máxima do hino rubro-negro que diz: “Uma vez Flamengo,
Flamengo até morrer”. Naquele 7 de maio de 1989 nascia um botafoguense. Pouco
mais de um mês depois eu comemorei, já como botafoguense, o título do
campeonato carioca em cima do Flamengo. A conquista acabou com um jejum de
quase 21 anos sem títulos oficiais do Botafogo. O último havia sido da Taça
Brasil de 1968, que teve a final disputada em 1969. O Botafogo foi campeão no
dia 21 de junho, o jogo começou às 21 horas, o placar eletrônico do Maracanã
marcava a temperatura de 21 graus, o cruzamento para o gol do camisa 7,
Maurício, foi feito pelo ponta Mazolinha, número da camisa 14. Repare que o
número 7 de Garrincha aparece desde o 3 a 3 no dia 7 de maio, depois com os
múltiplos 14 e 21.
Na sexta-feira, dia 21 de junho de 2019, fui ao Rio de Janeiro para o
evento comemorativo dos 30 anos do título de 1989 do Botafogo, na sede do clube
em General Severiano. O evento contou com a presença dos jogadores campeões.
Foi um dia histórico! Realizei o sonho de conhecer os personagens da grande
conquista, que os que não são botafoguenses não têm a dimensão do que
representa. Na ida comprei a passagem de ônibus no valor de R$ 89,37 e o
atendente me deu como opção o assento número 12, tempo do gol de Maurício e 21
ao contrário. Na volta, peguei o ônibus de 23h07. Foi um dos dias mais felizes
da minha vida.
O jogo final
do Brasileiro de 1995, reprisado neste domingo (07/06/2020) pela Rede Globo de
Televisão, consolidou ainda mais a importância do goleiro Wagner para a
conquista do título do Botafogo. Wagner fez pelo menos três grandes defesas no
segundo tempo após o Santos empatar a partida no início da segunda etapa e
pressionar até o apito final de Márcio Rezende de Freitas.
Se o árbitro
foi muito criticado por sua atuação ao validar o gol impedido de Túlio
Maravilha, não anular o gol de Marcelo Passos para o Santos depois de Marquinhos Capixaba conduzir a bola com a mão e anular o gol de Camanducaia do Santos após lance duvidoso, o
mesmo não pode se dizer de Wagner, que teve uma atuação irrepreensível.
Wagner era
muito questionado no Botafogo e não fosse a sua atuação de gala na final não
seria tão respeitado como é na contemporaneidade. Um dos goleiros que mais vestiram a camisa do
Botafogo, Wagner está na galeria dos maiores ídolos do clube. Wagner seguiu a
tradição de goleiros negros do Botafogo, desde Adalberto e Manga, passando por Ubirajara Alcântara, Zé Carlos e Borrachinha, até mais recentemente com os goleiros negros Max e Jefferson, que mantiveram a tradição do Botafogo.
A posição de
goleiro já é uma posição difícil, onde o goleiro é o único que não pode falhar. A cobrança é ainda maior quando o goleiro é negro e vive a síndrome de Barbosa, goleiro negro
que morreu sendo culpado pela derrota da Seleção Brasileira para o Uruguai na
Copa de 1950. Portanto, Wagner conseguiu mostrar em campo que era capaz e
marcou seu nome na história, apesar da desconfiança de muitos torcedores, dirigentes e imprensa, que o discriminavam por conta da cor da pele dele.
Wagner
venceu na vida. Mas mesmo depois de ser Campeão Brasileiro pelo Botafogo como o
melhor jogador em campo na final, foi crucificado com uma história de que ele era míope
e não enxergava à noite. Conviveu anos com a perseguição de torcedores, dirigentes e imprensa, que o acusavam de falhar em jogos à noite. Depois de quase 10 anos
de Botafogo, saiu do clube “de forma meio melancólica”, como afirmou em entrevista.
Espera-se que quase 25 anos depois da atuação salvadora do goleiro negro Wagner, que
garantiu o título brasileiro do Botafogo, e agora com o tema do racismo mais em evidência, ele seja mais reconhecido como grande goleiro que foi.
O goleiro Wagner jogou quase uma década no Botafogo (Foto: O Globo)
O goleiro campeão brasileiro de 1995, Wagner, que jogou de 1993 a 2002 no Botafogo, tornando-se um dos goleiros que mais vestiu a camisa do clube, conversou com o jornalista botafoguense Wesley Machado nesta segunda-feira (18/05). Na entrevista realizada por WhatsApp, Wagner comentou sobre o título do Brasileiro de 1995, quando fechou o gol na final contra o Santos; sobre o título do Carioca de 2010, quando ele era um dos treinadores do goleiro Jefferson; e sobre o Projeto Botafogo Empresa liderado pelo eterno presidente Carlos Augusto Montenegro.
- A final de 95 foi um jogo que marcou a minha vida. O Campeonato Brasileiro foi marcante. Foi minha primeira conquista como jogador de futebol, deu uma alavancada na carreira dos mais jovens e consolidou os mais experientes - destaca Wagner
De 2009 a 2010 Wagner trabalhou como preparador de goleiros no Botafogo, quando foi Campeão Carioca de 2010 treinando o goleiro Jefferson.
- Eu sou Botafogo. Torço para o clube se reerguer, voltar a ganhar títulos, dar alegria à nossa torcida maravilhosa. Tenho vontade de voltar a vestir a camisa do Botafogo, mas respeito os profissionais que estão lá. Quando o Jefferson voltou em 2009 eu era o treinador de goleiros - conta Wagner, que ajudou a treinar o goleiro Jefferson na conquista do Carioca de 2010.
Sobre o Projeto do Botafogo Empresa, Wagner torce para que dê certo. "A torcida é grande. O Botafogo tem de se reerguer. Torço para que o Montenegro consiga montar uma equipe para dar alegrias aos nossos torcedores. O Montenegro tem capacidade. Ele e o grupo que está à frente do Projeto de Clube Empresa do Botafogo estão trabalhando e, tenho certeza, que têm totais condições de montar um time para fazer o Botafogo voltar a disputar títulos. Isto que nós torcedores estamos querendo. Mas temos de ter paciência - afirma o ídolo e torcedor do Botafogo, Wagner.
Gottardo foi Zagueiro, Capitão e Campeão no Botafogo
O
ex-zagueiro, capitão e campeão do Botafogo, Wilson Gottardo, participou de uma
Live nesta sexta-feira (08/05) com o jornalista botafoguense Wesley Machado
pelo Instagram. Na oportunidade, Gottardo falou sobre os títulos dos Cariocas
de 1989 e 1990, destacando a importância de Espinosa e Emil Pinheiro; o Brasileiro de 1995, com destaque fundamental para Autuori e Montenegro; e a Taça Teresa Herrera de 1996. Mas
Gottardo também opinou sobre assuntos atuais. Ele se mostrou favorárel ao Projeto Botafogo Empresa.
- O Botafogo
está fazendo a transição de clube sem fins lucrativos para uma S/A, vamos torcer
que seja melhor para o clube, pode fugir de uma coisa que é uma paixão. Mas um
clube com uma dívida de quase um bilhão precisa trazer investimento, precisa de
um aporte inicial de 200 milhões, recomeçar, renegociar, pagar todo mundo que está na justiça, fornecedores, equacionar com dinheiro, tem de ter grana para
trazer Yaya, Robben, Mikel, jogadores de expressão parar ter uma repercussão maior
no Brasil e fora do Brasil. É o início para um novo tempo do clube. Futebol não é só financeiro, porém Futebol tem de ser feito por quem entende de futebol”, afirmou Gottardo.
Reportagem: Wesley Machado
Assista ao vídeo da LIVE de Wesley com Gottardo na íntegra:
O ex-jogador de futebol, Sandro, que foi zagueiro de Botafogo, Santos, Sport, Santa Cruz, entre outros clubes, mostrou consciência ao comentar sobre uma possível volta do futebol. Sandro, que tem negócios relacionados a futebol em Recife onde mora, demonstrou estar bem consciente em relação aos problemas que uma volta do futebol poderia ocasionar em meio à Pandemia do Coronavírus. A entrevista foi concedida ao jornalista Wesley Machado (@wesleyb.machado) em LIVE na quarta-feira (29/04) no Instagram.
- A vida ela tá tão difícil com esta pandemia terrível aí, que isso aí veio direto do inferno, pode ter certeza, e só Deus vai mandar a cura deste negócio. É terrível esta doença. Eu tenho esperança numa vacina. Porque acabar esta pandemia vai ser muito difícil. Infelizmente está morrendo muita gente, a gente fica muito triste com isso, muita gente perdendo emprego, muitas empresas fechando, muita gente passando fome e necessidade, essa é a realidade. Então quando a gente pensa em voltar futebol, eu acho que a gente tem de ficar quieto e pensar primeiro numa vacina, primeiro em cuidar de vidas, das pessoas. No Brasil já morreu mais de 5 mil. Então você imagina voltar, mesmo sem torcida, quem vai gostar disto é a televisão, que o povo vai ficar em casa assistindo ao vivo, então a audiência vai ser enorme. E a gente sabe que o futebol envolve muito dinheiro, envolve muitos interesses, em todos os aspectos, de pessoas que trabalham diretamente e indiretamente com o futebol. Mas nós temos de saber que uma volta do futebol pode acarretar em muitas mortes por esse Coronavírus e não vai ter controle. Então eu acho que o principal que tem de fazer é a CBF socorrer os clubes neste momento, os jogadores entenderem a condição financeira dos clubes, mas sei que não vai ser fácil, e tentar chegar a um acordo e se resolverem. E primeiro pensar numa cura desta pandemia para depois sim pensar em futebol. Acho que não é hora de pensar em futebol não – disse Sandro.
- Eu queria muito que voltasse. Eu tenho campos sintéticos aqui em Recife. Eu estou tendo um prejuízo tremendo na minha vida financeira. Mas eu tenho que me preocupar é com as vidas, eu não tenho de me preocupar que eu vou passar um pouco de dificuldade ou que vou decair um pouco mais meu rendimento mensal. Problema. Mas como eu posso ter jogo nos meus campos sintéticos, nas minhas quadras de futevôlei? Quantas pessoas ali eu posso matar? Eu posso matar. Eu posso. Porque eu vou estar abrindo um espaço onde eles vão pegar doença e vão levar para casa e vão botar nos seus pais, seus avós e aí eu fui um dos grandes responsáveis por isto. Indiretamente ou diretamente. Porque eu abri um espaço que tem contato físico – falou o ex-jogador, que também chegou a trabalhar como gerente técnico e técnico de futebol.
O eterno ídolo do Botafogo, artilheiro Loco Abreu, participou de uma LIVE no início da tarde deste sábado (02/05) pelo Instagram do jornal esportivo espanhol, Marca. Na oportunidade, o histórico camisa 13 botafoguense voltou a falar da famosa cavadinha contra o Flamengo em 2010 e o porquê de ter parado de fazer a tradicional "panenka", como é chamada em espanhol.
- Eu já havia feito a "panenka" pela seleção do Uruguai contra o Brasil na Copa América de 2007. É uma coisa antiga. Depois fiz em 2010 pelo Botafogo contra o Flamengo na final do Carioca e nas quartas de final da Copa do Mundo pelo Uruguai contra Gana. Mas parei porque em 2011 perdi um pênalti assim pelo Botafogo contra o Fluminense, depois até fiz um gol, mas quando cheguei em casa à noite e fui ver o VT do jogo, vi que um comentarista havia me crucificado por ter feito a cavadinha e ter perdido o pênalti - contou Loco, duas semanas após os 10 anos da data que ficou conhecida como 18 de Abreu.
O
ex-zagueiro e capitão do Botafogo, Sandro, participou na noite de quarta-feira
(29/04) de uma Live no Instagram com o jornalista botafoguense Wesley Machado.
Na oportunidade, Sandro, que jogou de 1999 a 2004 no Botafogo, abordou sobre
vários assuntos, como o rebaixamento em 2002, a disputa da Série B em 2003 e a
volta à 1ª divisão.
Sandro explicou
o porquê de tanta indignação após sair expulso no jogo contra o São Paulo que
rebaixou o Botafogo em 2002. “O sentimento era de revolta, indignação e
tristeza. O time caiu porque ninguém recebia. Eu gostava de jogar no Botafogo.
Claro que a gente tem de pagar as contas. Mas eu queria estar em campo. Eu
jogava por amor ao Botafogo. Mas não pude jogar muitas partidas em 2002 por
causa da cirurgia que fiz no joelho. Só que muitos ali não estavam preocupados
com o Botafogo. No jogo contra o Guarani na penúltima rodada alguns jogadores
forçaram a expulsão para não jogar a última partida. Teve jogador que chegou
com gesso na perna sem ter nada. Eu, mesmo machucado, pedi para jogar o último
jogo. O Botafogo ficou cinco meses com os salários atrasados e os dirigentes
deram esse direito aos jogadores”.
Perguntado
sobre o fato dele ter sido um dos poucos jogadores que ficaram do time que foi
rebaixado em 2002 para a disputa da Série B, Sandro disse: “Era uma obrigação
minha. A gente tinha levado o clube ao rebaixamento, mesmo, repito, eu não
tendo jogado muitas partidas em 2002 por causa da cirurgia que fiz no joelho.
Fiquei 2000, 2001 e 2002 muito tempo lesionado. Aí eu pedi ao Bebeto e ao Levi
para disputar a Série B de 2003. Fiquei e graças a Deus a gente subiu o time
para a 1ª divisão. Limpei a ficha, tirei um peso das costas. Era um time muito
experiente, uma equipe de guerreiros, sem muita condição financeira. O que
prevaleceu naquela Série B não foi dinheiro, foi a vontade de colocar o
Botafogo na 1ª divisão. Só subiam dois e o quadrangular foi muito difícil, mas
a gente conseguiu colocar o Botafogode
volta onde nunca deveria ter saído”.
Sandro contou
que o gol contra o Marília no jogo do acesso foi o mais importante da carreira
dele. Ele revelou que a batida no braço que ficou eternizada foi uma promessa. “Em
99 eu fiz um gol contra o Flamengo. O Botafogo como sempre brigando para não
cair. Botafogo não, os dirigentes brigando para não cair. Porque o Botafogo não
é para brigar para não cair. O Botafogo, a instituição, não tem culpa de nada.
A culpa é dos maus dirigentes. Aí eu fiz o gol de falta e bati no braço e
gritei: ‘Segunda não. Botafogo é primeira’. E naquele ano o Botafogo não caiu”.
Sandro falou
sobre o estádio Caio Martins em Niterói-RJ, que foi anunciado nesta semana que
deverá ser devolvido em 2021: “Eu gostava de jogar no Caio Martins. Mas eu preferia
jogar no Maracanã. O Maracanã é encantador. Mas na Série B o Caio Martins foi
muito importante”.
Quanto ao fato de ter declarado que queria ter começado, ter ficado mais tempo e
encerrado a carreira no Botafogo, Sandro comentou: “Eu queria ser igual Nilton
Santos, que começou e terminou a carreira no Botafogo. Eu queria ter tido este
privilégio. Quando eu estava em Portugal, o pessoal queria que eu voltasse para
o Botafogo, mas meu futebol já tinha caído e eu não estava mais à altura para
jogar no Botafogo. Eu amo esse clube. O Botafogo é diferente. Aprendi a amar o
Botafogo no sofrimento. Fui escolhido”.
O
ex-zagueiro comentou ainda sobre o fato de sua imagem estar pintada no
tradicional muro de General Severiano. “Não paguei para estar ali. Nenhum ali
pagou para estar. A maior conquista da minha vida é estar naquele muro”.
Sobre a
votação do site Globoesporte.com, em que foi escolhido o 5º melhor jogador do
Botafogo no século XXI com mais de 6 mil votos pela internet, Sandro disse o
seguinte: “Fiquei muito feliz. Ser escolhido o melhor zagueiro de Botafogo em
20 anos. Não esperava. Estou lá. Agradeço à galera do Fogão”.